Audiência da Unifesp atrai mais de 500 participantes

Aconteceu na noite de segunda-feira (5/5) a Audiência Pública da Unifesp para prestar contas à sociedade sobre os rumos da implantação do campus Embu das Artes. Foram apresentados novo local para construção do prédio em frente à Prefeitura, no Centro, e as áreas dos cursos de graduação que irão compor a grade curricular: artes, cultura e turismo.

“Já decretei o terreno como Área de Interesse Público”, afirmou o prefeito Chico Brito, presidente do Consórcio Intermunicipal da Região Sudoeste da Grande São Paulo (Conisud), que promoveu a reunião juntamente com reitora da Unifesp, Soraya Smaili, e demais autoridades no plenário da Câmara Municipal, que recebeu grande público. É a segunda audiência pública realizada pelas Câmaras Técnicas do consórcio, a primeira foi sobre transporte com a EMTU.

“Ponderei e cheguei à decisão de que o melhor seria escolhermos outro local para não retardarmos ainda mais o projeto”, afirmou o prefeito, reiterando que será dado continuidade à criação do Parque da Várzea, com a preservação ambiental de 1.4 milhão m² do total do terreno de 1.6 milhão m² do terreno existente.

Chico Brito fez um breve recorte histórico do início da luta pela universidade, desde a posse do terreno do Parque da Várzea, em 2009, cedido pelo Dersa (como compensação pelo impacto da construção do Rodoanel), passando pela inauguração de cursos de extensão instalados no Complexo Valdelice no ano de 2010, até chegar no decreto da presidente Dilma, em 2011, para instalação de um campus em Embu das Artes. Em 2012, uma liminar requerida na Justiça pela Associação Ibióca, Sociedade Ecológica Amigos de Embu e Associação Amigos do Bairro das Chácaras Bartira impediu obras no terreno, justificando que o projeto causaria impacto ambiental na região.

A reitora da Unifesp, Soraya Smaili, explicou que o Grupo de Trabalho misto, composto por técnicos da Prefeitura e Unifesp, avaliou as propostas pedagógicas, concluiu que a localidade no Centro da cidade seria a melhor opção e acredita que a implantação da universidade será realizada. “Há uma ampla área para construção sem restrições ambientais e deverão ser executados estudos, laudos e o planejamento”, declarou.

Smaili destacou o empenho conjunto entre os poderes executivos e legislativo e sociedade civil na consolidação da Unifesp na região: “A audiência é um instrumento importante para estimular a participação popular na elaboração do projeto”.

Ainda segundo Chico Brito, a participação de todos deve ser constante e vigorosa para colaborar com o surgimento da Unifesp, no intuito de buscar recursos financeiros do Governo Federal para bancar a desapropriação do terreno: “O objetivo da professora Soraya em expandir a Unifesp, visando a qualidade, fortaleceu a nossa união em torno desse projeto”.

O novo local

Numa área de 84 mil m², está previsto um centro cultural, teatro, cinema, galeria de arte e biblioteca que também serão abertos à população, com cursos de extensão e atividades diversas.

Soraya Smaili contou que estão previstas 400 vagas para serem disponibilizadas inicialmente, com perspectiva de criação de outros cursos posteriormente: “Levaremos em consideração o que já foi dito, sabendo das dificuldades, mas agiremos com responsabilidade, dando um passo de cada vez”.

Para a pró-reitora de graduação da Unifesp, Maria Angélica Minhoto, a expansão da grade curricular deve ser gradativa: “Vamos pensar na manutenção dos alunos. A universidade tem que pensar não só na abertura dos cursos, mas na permanência e conclusão deles pelos estudantes”.

Ela também afirmou que já foi percorrido um importante caminho nas instâncias decisórias da Unifesp com a definição das áreas de artes, cultura e turismo, contemplando um conjunto de cursos que tornarão a universidade plena.

A vez da população

Discursaram na audiência pessoas de diversos grupos, ambientalistas, estudantes, líderes comunitários, professores, movimentos sociais e cidadãos.

Muitos opinaram sobre criação de outros cursos (como meio ambiente, arquitetura, química e medicina), colocaram suas expectativas sobre o campus, revelaram os anseios em poder estudar, cobraram prazo e vislumbraram a oportunidade que a universidade irá levar para futuras gerações.

De Taboão da Serra, Maria Alves Caldeira, compareceu ao evento com espírito público e de cidadania: “Tenho interesse na universidade pelos meus filhos e netos”.

Graça, presidente da Associação Comunitária Parque das Chácaras (Embu das Artes), estava motivada e acredita no compromisso e na vontade política do governo municipal: “Trabalho com crianças carentes e todos aqui sabem da importância que a universidade terá na vida delas daqui uns anos”.

Falando pelo Movimento dos Sem Universidade (MSU), Sergio José Custódio (presidente nacional) elogiou a grande adesão da população:“Embu das Artes deu hoje um exemplo para o Brasil”.

Para ele, a ação do prefeito Chico Brito na busca pela abertura de uma universidade dá sentido à palavra governar: ”Nós acreditamos, e quando muitas pessoas acreditam no mesmo sonho, ele se torna realidade. Com a força popular, a universidade poderá acontecer mais rápido do que se imagina.

No final da audiência, foi assinado um Termo de Cooperação entre Prefeitura de Embu das Artes e Unifesp para a implantação do campus.

Autoridades presentes: vice-prefeito Natinha, deputado federal José Mentor, prefeitos Erlon Chaves (Itapecerica da Serra) e Clodoaldo Leite (Embu-Guaçu), vice –prefeito de Cotia, Moisés Cabrera, representante de Vargem Grande Paulista, José Carlos Ricardo de Souza, vereadores Doda Pinheiro (presidente), João Leite, Clidão do Táxi, Dra. Bete, Rosana Almeida, Gilson Oliveira, Edvânio Mendes, Jefferson do Caminhão e Ney Santos, além do vereador de Embu-Guaçu, Jose Ferreira.

Escrito por: Alex Natalino

 

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